quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Um Conde de rua.

 


Algumas vezes olhamos para as pessoas tentando adivinhar suas vidas, seus pensamentos, seus motivos, suas atitudes, algum comportamento ou algo que nos chama atenção.

Outras, nem ao menos nos interessamos em olhar, são os invisíveis, pessoas aparentemente sem uma história que desperte curiosidade.

Se você em algum momento teve essa moeda na mão, vamos contar os porquês de um personagem muito especial, e mais de um outro mais especial ainda que fez a diferença em sua vida.

Um personagem que só será percebido por aqueles que tem uma sensibilidade para enxergar um movimento simples, e ouvir o silêncio.

Madrugada de sábado. Um grupo de adolescentes vindo de uma festa, resolveu completar a diversão espancando um morador de rua que dormia encostado em seu canto feito quarto que escolhera para aquela noite.

Os jovens batiam no homem até que ele acordou assustado.

Xingavam e chamavam-lhe de vagabundo, desocupado, que estava "enfeiando" a rua.

Este, não teve alternativa a não ser encostar-se à parede e esperar o pior. Não tinha força e nem coragem para enfrentar o seu fim que parecia ter chegado.

Rendeu-se passivo.

Foi surpreendido pelo rosnar de um cão que pulou sobre os agressores enfrentado as feras, sem medo, sem arma, apenas com sua coragem e senso de justiça.

Acompanhou os fugitivos covardes até os perder de vista, deixando o defendido sem palavras e sem ação.

De onde viera aquele cão tão valente, com tanta força? Como gostaria de lhe dizer obrigado  − Pensou o homem.

Machucado, sentou-se no em seu chão com a lembrança boa de ter sido defendido, protegido por “alguém” – sim, porque o seu defensor era alguém a partir daquele momento − que finalmente se importara com ele.

Ainda nesses pensamentos foi surpreendido com a chegada de seu herói. O abraçou e fez festa. Chorou de alegria, coisa que havia muitos anos que não sabia o que era. Conversou com ele, fez perguntas, todas com resposta que só ele entendeu.

Perguntou seu nome, sua raça, se tinha família... e lhe disse que se nao tivesse  estava convidado a ficar.

O cão deitou-se ao seu lado como que aceitando o convite. O homem apresentou-se:

− Me chamo Heitor. Também não tenho família, um dia tive, mas perdi. Só me restou o agora, e as calçadas generosas das ruas e este céu que me cobre seja de que jeito estiver.

Um dia já me senti importante– continue Heitor – Hoje sou uma pessoa apenas. Vamos escolher um nome para você. Precisamos ter intimidade, nos conhecermos melhor, ter uma identidade. Sei que muitos vão lhe chamar de cachorro sem dono, vira-latas, coisa que você não é. Nota-se pelo porte e pela coragem dos fidalgos. Chamarei você de Conde. Serei seu amigo como você foi meu amigo.

Nascia uma amizade,  um companheirismo.

Mudavam de bairro quando estavam cansados do mesmo lugar, queriam aventura. A vida agora fazia sentindo. Heitor tinha com quem conversar.

Acamparam numa praia e Heitor resolveu abrir o coração e contar sua história ao Conde. Eram amigos, e ele precisava saber dos motivos que o levaram até uma casa sem teto.

Se emocionou no princípio. Já nem lembrava direito há quantos anos sua vida mudara. Tinha as lembranças escondidas, algumas até apagadas de tanto evitá-las.

Começou contando que já teve trabalho, tinha junto com sua mulher, uma pequena floricultura, apenas com um funcionário. Adorava flores e aquele trabalho era compensador pela beleza e pela alegria que dava às pessoas.

Contou que era loucamente apaixonado pela esposa e todos os dias a presenteava com as flores mais bonitas quanto chegavam. Eram felizes e tinham um filho de 10 anos. Uma família completa.

Depois de alinhar as flores e presentear à sua paixão, orientava o funcionário e levava o filho à escola. Tarefa que fazia com amor.

Um dia depois de deixar seu filho na escola, começou a sentir-se mal. Uma dor no peito, uma agonia, falta de ar e um suor que lhe cobria o corpo. Encostou o carro, parou um taxi e pensou em ir ao hospital. Se sentia tão mal que tinha certeza da morte.

Decidiu ir para casa, morrer ao lado de sua mulher, talvez tivesse tempo de lhe dizer o quanto a amava e que cuidasse bem do filho.

Chegando em casa, entrou com dificuldade. A mulher deveria estar dormindo ainda. Era cedo e Heitor a enchia de manhas a deixando dormir até mais tarde. Foi até o quarto. Queria se jogar na cama e falar com ela pela última vez.

O que viu doeu mais que o mal-estar que sentia. Ela estava em sua cama com outra pessoa. Ele não conseguiu ver mais nada. Só se lembra que saiu gritando de desespero e desmaiou.

Acordou não sabe quanto tempo depois em um hospital. Estava só. Alguém entrou, provavelmente uma enfermeira e lhe perguntou como se sentia.

Não respondeu. Virou o rosto e parecia que a cena que presenciou havia sido um pesadelo. Fechou os olhos. Foi avisado de que um médico viria vê-lo logo.

Levantou-se, se vestiu e saiu sem alarde.

Conde parecia entender a narrativa de Heitor, mas dava sinais de fome. Heitor despertou para sua responsabilidade de alimentar o amigo, coisa que não havia feito com seu filho. Chorou, se doeu, remoeu a dor de seu egoísmo, o abandono de seu querido filho que agora já era um rapaz.

Prometeu a Conde que iria tentar saber do filho e lhe mandar uma carta lhe pedindo perdão pela covardia. Chegar perto não teria coragem. Seria chutado certamente.

Secou as lágrimas e foi providenciar alimento para seu amigo protetor.

Conde andava devagar. Já estava velho lhe doía as juntas. Muitas vezes Heitor precisava carregá-lo.

Chegaram em outra cidade. Conde, em seu silêncio, reclamava de dores. Heitor se arrependeu de ter cultivado uma vida miserável que agora não lhe dava a chance de cuidar de seu amigo.

Em muitos anos, rezou. Não pediu por ele, pedia por Conde. Fez um acordo com Deus: trocava sua vida mesmo sem valer muito, mas era a única coisa que tinha, pela vida de Conde. Ou por um milagre que lhe tirasse as dores.

Procurou uma clínica veterinária e encontrou não muito longe. Se encheu de esperança. Iria lá, explicaria a situação de seu amigo e a sua.

Limparia o chão, qualquer coisa em troca de um remédio para Conde.

O veterinário o ouviu e falou com Conde, parecia que ele também entendia a linguagem dos cães. Mesmo olhando desconfiado para Heitor, disse que lhe daria o medicamento e que isso o faria sentir-se bem, mas que depois ele saísse.

O Veterinário chamou seu assistente e pediu que lhe trouxesse o remédio. O moço veio com o remédio. Heitor ia saindo e o moço pediu que esperasse.

− Espere, pai!

Heitor quase morreu de susto. Não o reconheceria nem em mil anos. Um rapaz feito, bonito, diferente do trapo que Heitor era agora.

Heitor, baixou a cabeça. Não tinha saída. Precisava encarar sua vergonha diante de quem pagou pelo que não devia.

O filho foi para abraçá-lo, Heitor tentou escapar – Não faça isso – Pediu Heitor.

O filho não o escutou.

− Não, pai, você não vai fugir pela segunda vez. Nós dois vamos cuidar de seu amigo, agora meu amigo também.

A aparência suja e relaxada não impediu o abraço, fechando o círculo de dor e abrindo as portas de uma nova vida.

Heitor abandonou tudo.

Mas a vida o fez reencontrar o que mais importa.

E você, o que acha disto tudo?

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

No divã da vida.

 


As pessoas tem personalidades, critérios e comportamentos diferentes diante da vida. 

Esta nossa história traz esta questão para refletirmos sobre o comportamento distinto de duas pessoas com personalidades diferentes. 

O amor resolveu se encaixar entre essas diferenças, deixando aos seus protagonistas a questão de até onde se deve confiar em alguém tendo por base apenas os sentimentos.

Lucas aos 19 anos de idade teve uma experiência pessoal intensa.

Desde então resolveu se dedicar à religião de forma radical, isto provocou o fim de um namoro da adolescência e o fez fechar-se para o mundo em um comportamento quase celibatário.

Inteligente, culto, rico, muito educado e gentil, que com o passar dos anos muitos outros rapazes por admiração, o seguiam nesse determinação. 

As moças o achavam perfeito e sonhavam, cada uma, em um dia ter para si, essa jóia rara. 

Incontáveis jovens viviam ao seu redor apaixonadas, se fechando para qualquer outro relacionamento.

Enviavam cartas, declarações e cada uma se mostrava mais perfeita do que a outra. Isso alimentava em Lucas o ego natural do ser humano em sua carência emocional. 

Lucas se contentava com isso, e era feliz assim, segundo ele.

Vinte e um anos se passaram desde sua decisão e continuava acompanhado das mesmas pessoas, principalmente das jovens, que já não eram tão jovens, que abdicaram de um relacionamento na juventude, na esperaça de um dia tomar posse desse príncipe.

Visitando um amigo, Lucas conheceu Linda, uma jovem bonita no nome e na pessoa. 

Era uma garota de 18 anos, de personalidade forte e não conhecia muito sobre ele. 

Sabia apenas que era religioso e amigo de seu pai. Se encantou! 

Queria saber se era casado, pela idade que na verdade não aparentava, e para saber se os olhares dele para ela tinham outras intenções.

Pediu à sua irmã, mais jovem, que adorava uma brincadeira, que investigasse e sondasse sobre os olhares de Lucas lançados à ela na hora do jantar.

Sua irmã fez conforme lhe foi pedido e em termos da brincadeira proposta, cumpriu sua missão.

Lucas não negou que achou Linda realmente muito bonita, mas tinha a determinação de não se envolver com ninguém, além do mais, Linda lhe parecia muito jovem.

Perguntou quantos anos tinha, e a irmã, mentindo, disse que não sabia bem, que era confusa com estas questões de idade e que iria perguntar à irmã.

Linda não querendo que a idade lhe fosse um empecilho, pediu à irmã que dissesse que tinha 21 anos.

- 21? Mas você tem 18!

- Tinha 18 anos, agora tenho 21 e corre lá e conta. – E a irmã contou.

Mesmo achando a garota muito jovem, já que ele estava em seus 40, ficou pensativo.

Tentava convencer-se de que 19 anos (acreditava que a idade de Linda era 21) não era tanta diferença assim. Não percebia, mas já estava se sentindo envolvido e procurando justificativas para experimentar aquela sensação nova.

Religioso como era, já em casa, rezou e meditou, mas não conseguia se concentrar em mais nada que não fosse encontrar um meio de ficar perto de Linda. 

Teve uma idéia brilhante: seria amigo dela e da Irmã que lhe parecia mais extrovertida.

Assim, quem sabe, manteria Linda só para ele sem ter que quebrar seu propósito religioso e nem perder suas admiradoras.

Começaram os convites para celebrações, lanches, sorvetes, coisas dessa fase gostosa de descoberta.

Ele ficava sem graça perto de Linda, e ela aproveitava para chegar cada vez mais próximo. 

A irmã se divertia com a situação.

Aniversário de Linda. Lucas pediu à irmã que lhe comprasse um presente, disse que não era bom nessas coisas. 

Perguntado sobre o limite de preço, respondeu: - Sem limite. Não importa o preço. Compre algo que a agrade muito.

Palavras passadas pela irmã para Linda que a proibiu de comprar qualquer coisa.

 Disse: - não compre nada. Se ele quiser, que compre. Eu vou falar com ele.

 Foi, e foi direta:

- Agradeço muito a intenção do presente, mas dispensei. E por que tanta generosidade?

- Preciso lhe dizer que não pretendo ser apenas sua amiga ou viúva esperançosa, como as “duzentas” que andam atrás do “senhor.”

- Muito me incomoda sairmos escondido, uma vez que o “senhor” é solteiro, e tendo uma situação financeira equilibrada, é certo que não deve nada a ninguém. Então, paramos aqui!

Lucas realmente estava amando Linda. Estava realmente interessado e concordou que continuar dessa forma não era confortável inclusive para ele.

Começou o namoro, chegou o noivado e o casamento se aproximava.

A notícia chocou a comunidade e suas admiradoras menos persistentes se afastaram.

Restaram aquelas que acreditavam que rezando impediriam a tragédia (para elas) do casamento de Lucas.

Linda considerava a cerimônia do casamento muito importante e tinha sonhos e fantasias com o evento.

Queria algo bonito e para poucas pessoas. 

Lucas, ao contrário, queria algo para muitas pessoas, pois tinha muitos amigos, mas sem ter que gastar muito dinheiro. 

Apesar de rico, era apegado ao cobiçado metal.

Não conseguiam chegar a um acordo.

A moça não abria mão da festa que sonhou e Lucas não achava isso importante.

O pai dela só faria a festa da forma que ela preferisse e não tinha como bancar uma festa com tantos convidados como Lucas queria.

Lucas pediu que Linda o deixasse organizar tudo, que faria de forma que a agradasse, inclusive o local para lua de mel seria uma surpresa, presente dele para sua amada.

Ela queria escolher junto, ele pôs em questão a confiança dela nele e se mostrou magoado.

Batalha vencida por Lucas. Ela entregou seu sonho nas mãos do noivo e detalhou como sonhara, ao que ele garantiu: - confie em mim!

Ela confiou.

Dia do casamento. Expectativa dobrada pela noiva, que esperava o melhor para aquele dia.

Estava literalmente linda!

Local da cerimônia lotado. Quase dois mil convidados, como queria o noivo.

E onde acomodar tanta gente? No lugar mais óbvio que o noivo encontrou: do lado de fora do local da celebração, para aqueles que não chegaram cedo.

Por fora parecia bonito, mas muito, muito longe do que Linda queria, resultando em cobranças diárias que durarão enquanto houver casamento.

A lua de mel? Bem... a lua de mel é outra história que prometemos contar.

E você, confiaria outra vez uma decisão importante a Lucas?

E para Linda, foi justo o preço pago por ter mentido a idade e se envolvido com alguém experiente e manipulador?

E as admiradoras, valeu a pena empenhar sua juventude em esperança sem compromisso?

E você, leitor, qual sua opinião no divã da vida?

  

 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Amor maior.

 


Aos 21 anos, Íris enfrentava o fim de um casamento imaturo, realizado ainda na adolescência, no auge de uma forte paixão.

Desde criança era assim, tudo que fazia era com muita paixão e total entrega. Se estendia ao exagero.

Era uma garota alegre, apaixonante e apaixonada pela vida. Aproveitava todos os momentos. Tinhas muitos amigos e ganhou do pai o apelido de girassol, uma flor com características simbólicas que se assemelhavam ao seu temperamento.

Do casamento herdou um filho, que a estimulou muito mais a ser o que era, alegre e extrovertida, sem no entanto, deixar de lado sua responsabilidade de mãe.

Não tinha ajuda do pai da criança, mas dizia que era forte suficiente, e assim continuava deixando de lado os direitos que eram seus e de seu filho. Eles não se viam. Ela apenas dava notícias da criança para no caso dele querer ver o filho, e não lhe imputar a culpa de que ela o impedia. 

Ele sempre dizia que iria ver, mas precisava esperar, pois a nova esposa tinha ciúmes de Íris e do elo que os ligava.

Íris seguia a vida. Trabalhava, se sustentava, e pagava uma pessoa para olhar seu pequeno. Percebeu que o filho não era tão bem cuidado como recomendara, questão principal para Íris.

Em conversas com seus pais, que moravam sozinhos, contou sua preocupação. 

Os pais a convidaram para morar com eles e acertaram as despesas. 

Íris não se importava, entregava todo o dinheiro em casa e sua mãe lhe dava o que ela precisava. O importante era ter segurança de que seu filho estaria sendo amado e bem tratado.

Trabalhava em uma empresa Internacional, e pela competência e destaque, foi direcionada a fazer um curso de inglês para que progredisse na empresa.

Conheceu um rapaz de outro País que estudava português. Paixão fatal entre os dois. O que faltava à Íris acabava de chegar. Sua vida amorosa agora tinha um norte, um motivo, uma razão para rir e ser mais feliz.

Começaram a fazer planos. Iriam morar juntos, talvez no futuro casar. Estava tendo sua segunda chance.

Mudou-se para o apartamento de seu namorado, sua paixão. Viviam às mil maravilhas. Um encantamento total dos dois. O menino se dava bem com o futuro padrasto. Gostava dele, da referência paterna que se desenhava no relacionamento. 

O namorado queria voltar para sua terra. Íris pedia para ele esperar um pouco mais. Estava feliz no trabalho e tinha medo de que o filho não se adaptasse bem à nova vida.

Cada dia mais apaixonada, vivia tudo que sonhou com seu amor. Via seu filho contente e isso lhe bastava.

Em meio a felicidade de Íris, uma sombra começou a pairar. O pequeno gostava de fazer suas refeições frente à TV. Isso incomodava o namorado de Íris, que não concordava, dizia que não estava certo e que ela deveria educar melhor o menino.

Íris prestava atenção e dizia que iria pensar, pois o garoto não se alimentava bem, como acontece com a maioria das crianças, e a TV o distraía.

Devido ao trabalho, algumas vezes se atrasava um pouco e quando chegava, o namorado já havia jantado com o pequeno.

Íris começou notar um comportamento arredio do filho em relação ao padrasto. Ligou suas antenas e começou a prestar atenção no que estava à sua volta.

Descobriu que estava certa em sua desconfiança.

Em sua ausência, o namorado tratava o pequeno de forma rude, forçando o garoto a se comportar como ele queria. 

Eles conversaram e ele lhe disse que era por amar muito o menino. Que queria ele bem-educado e tudo mais. Íris deixou bem claro que não admitia, que o direito de corrigir o filho, era só dela, não transferia o privilégio  para mais ninguém.

 Íris continuou observando. Via que o  filho cada dia ficava mais calado quando o padrasto estava por perto. E ela mais atenta, mesmo não querendo acreditar, mas procurava descobrir o que estava acontecendo.

Confirmou então a forma dominadora e agressiva que seu namorado lidava com o menino quando ela não estava por perto.

Iris foi tomada de grande desapontamento.

Não precisou medir e nem avaliar. A decisão estava tomada sem uma segunda chance.

Saiu sem despedida. Voltou para a casa de seus pais onde seu filho tinha o avô lhe sendo como um pai, a avó cuidadosa e carinhosa e eles se completavam.

Hora de encarar a nova realidade. Acreditar que a vida tem seus caminhos e nós temos nossas escolhas. A vida também nos dá incontáveis chances.

Doeu. Sofreu. Mas superou com a certeza de que tudo valia a pena em nome de um AMOR MAIOR.

E você, faria diferente de Íris?

 

quinta-feira, 28 de outubro de 2021

45 minutos do segundo tempo.

 



Júlio estava vivendo seus 68 anos. Filhos casados, aposentado,  mas vivia sozinho  depois que ficou viúvo.

Não se interessava por ninguém e se achava velho demais para se envolver em uma aventura de amor. Na verdade, não acreditava mais que pudesse despertar paixões e ser despertado por elas. Tinha desistido, se acostumara a viver sozinho, achava cômodo.

Se entranhava cada vez mais na preguiça de não enxergar o brilho que a vida tem quando se está envolvido com outra vida.

Júlio, visitava os filhos, os netos, trocava carinhos familiares, e continuava vivendo uma vidinha mais ou menos, sem perceber isso.

Começou a sentir-se velho. Sem animação para comprar uma roupa nova, se pôr bonito para alguém, nem mesmo para ele. 

Para quê? Estou bem assim. Pensava.

Não, não estava. Quando ficava só com ele mesmo, se perguntava o que lhe restava. Se envolvia em suas leituras e se alimentava de literatura e filmes na TV. Não sabia bem para que tanto saber, tanto conhecimento, se não tinha com quem dividir.

Os amigos, sabedores de sua obsessão pela leitura o presenteavam com livros. Dentre esses muitos recebidos, encontrou um livro de romance.

Ficou triste. Olhava para aquela história como algo inatingível em seu caso. Nunca mais viveria um amor. Nunca mais sentiria o prazer do gosto da paixão. O gosto de um beijo, o carinho quente de uma mão atrevida. 

É certo que tinha suas lembranças. Mas essas ficavam cada vez mais distantes, mais apagadas.

Começou a sentir-se doente. Não tinha mais a agilidade de antes. Já não queria fazer seus exercícios, ou aceitar o convite de seus amigos para um jantar. Todos eles, na maioria das vezes estavam acompanhados, e, quando sozinhos, era a mesma conversa que já cansara de ouvir.

Falavam de solidão, mentiam que estavam bem e felizes. Ou falavam das mesmas lembranças.

Estava cansado. Iria ficar quieto com seus livros e tentar viver o que já não o consolava mais.

Dormiu sem sonhar. Acordou cedo e precisava sair, tinha um compromisso. O carro não funcionou. Usou seus conhecimentos de mecânico e nada adiantava. Se aborreceu e resolveu pegar um trem. Depois veria o problema do carro.

Na plataforma viu uma moça que lhe chamou atenção. Alguma coisa que ele não sabia explicar. Será que a conhecia de algum lugar? Não. Absolutamente não. Se a conhecesse não esqueceria.

Tentava evitar olhá-la, mas não se continha. Queria descobrir o que era.

O trem chegou. Os dois entraram no mesmo vagão. Júlio se pegava olhando para jovem. Ela sorriu como se o cumprimentasse. Ele ficou tímido.

Descobriu que eram os olhos dela que lhe chamavam atenção. Se sentiu perturbado.  Desceu em sua estação com vontade de continuar até ver aonde ela iria descer. Se sentiu idiota. Agradeceu a si mesmo por não ter feito a bobagem.

A noite chegou e Júlio não conseguiu voltar para sua rotina. Aqueles olhos... e se não bastasse, o sorriso. Que diabos estava acontecendo? Quem seria aquela criatura?

A noite foi longa para aquele que sem querer havia saído de sua rotina de solidão. Sentiu saudades de viver sem ser incomodado, mas, ao mesmo tempo, uma força nova o estimulava.

Pensou em ir consertar o carro. Desistiu. Quando percebeu estava na estação, no mesmo horário do dia anterior, olhando aflito para cada pessoa que surgia na plataforma.

Se perguntava o que estava fazendo ali. Se sentiu ridículo. Resolveu voltar. Tarde demais. A dona do par de belos olhos e sorriso bonito estava chegando. Que loucura! O que fazer agora? Ir embora como pensou? Fingiu que lia um anúncio e esperou o trem. Entrou no mesmo vagão.

Viu a moça descer e lhe faltaram pernas para descer também. 

No dia seguinte fez a mesma trajetória: estação, moça, trem e vagão.

Com a diferença que desceu na estação em que a jovem desceu. 

Pensava consigo: sou um  louco. Ela vai me notar e “pensar” que a estou perseguindo. Vai chamar a polícia, serei preso, algemado, e vou morrer na cadeia, velho e abandonado.

Precisava colocar um limite em sua loucura. Entrou no primeiro bar que encontrou e pediu um café. Precisava de energia. Pediu água. Precisa se acalmar também. Esqueceu o café. Colocou açúcar na água, remédio caseiro de sua mãe. Ficaria bem, curado dessa loucura.

Quase ficou bom mesmo não fosse a moça entrar no mesmo bar e pedir um café também.

Não tinha mais mesa. O bar, pelo horário, estava cheio. A jovem olhou em sua direção. Júlio tentou se esconder em si mesmo, mas não havia lugar nem fora nem dentro de si. Aquela desconhecida havia ocupado todos os cantos.

Ela, gentilmente, pediu permissão para sentar-se à sua mesa. Ele consentiu, obviamente. Ficou tão nervoso que se manteve de pé, parado. Ela, muito falante, lhe perguntou se atrapalhava, e se ele não iria sentar-se.

- Sim, sim... vou. Quer dizer posso? Ela riu do desconserto dele.

- Claro! Disse ela. - A mesa é sua, eu é que me intrometi. E já emendou uma conversa.

- Trabalha por aqui? Júlio mentiu. – Sim. Trabalho. 

Ela: - sei... onde?

Ele: - não sei...

Ela riu e disse: - eu sei que não sabe. Talvez esteja procurando algo. O senhor não lembra de mim? Júlio meio sem graça, disse que sinceramente não. Ela então disse que o conhecia da casa da Amanda, amiga dela, filha do Seu Vitor da lojinha da rua de casa.

Júlio se sentiu envergonhado. Pediu desculpa e se justificou mil vezes. A jovem disse que desculpava na condição de no sábado ele ir no aniversário do Seu Vitor. Ela e Amanda estavam preparando uma surpresa para  Seu Vitor. Disse que Júlio poderia levar quem quisesse. 

Promessa feita, perdão concedido. O drama era esperar o sábado.

Senhor - rezou ele -; -Hoje ainda é quinta-feira!!! Me tire dessa ansiedade, afaste esses pensamentos. Por que eu prometi?

- Eu sou um covarde. Um louco. Não sei o que estou fazendo. Ela deve estar contando para sua amiga e rindo de mim.

Lembrou da promessa, da festa, da roupa apropriada que não tinha. Estava gordo, precisava perder peso até sábado. O que fazer? Consultava desesperado todos os sites de como perder peso em uma semana. Uma semana! Muito tempo. Precisava de uma solução mais urgente.

Perguntaria à sua nora. Ela, muito vaidosa, saberia lhe dar uma receita.

- Perder peso? O senhor que perder peso seu Júlio? Mas o senhor está tão bem.

-Jura? Você acha mesmo? É que ando me sentindo cansado. As roupas não cabem bem...

- Ah, seu Júlio, tá na hora de o senhor comprar umas roupas novas. Tirar esse pijama feio, fazer caminhada, comer salada...

Isso! Era isso! Iria caminhar o dia inteiro e comer apenas salada até sábado. Não! Até o fim da vida. Chega! Preciso me cuidar – pensou.

Partiu para sua caminhada sem tirar de seu pensamento os lindos olhos da jovem, jovem Marina. Sim, agora ela já não era apenas um belo par de olhos com um sorriso bonito. Tinha nome, endereço e estava ali, pertinho dele.

Marina...  pensava alto -  Que nome lindo!

Pediu ajuda à sua nora para comprar umas roupas novas. Ela, que adorava comprar, aceitou na hora o desafio. – Vou lhe tornar o homem mais bonito da festa, seu Júlio, o senhor vai ver.

Sábado. Chegou a hora!

 Vestiu todas as roupas novas uma a uma. Nada parecia digno de Marina. Como estaria ela? Certamente linda. Não precisaria de muitos enfeites. A natureza lhe foi generosa. 

Júlio estava pronto. Não tinha certeza se conseguiria chegar até a casa do amigo Vitor, seu coração pulava. Talvez não resistisse à emoção. Ou talvez não resistisse ao desprezo de Marina. Ou talvez... espere! E se ela estiver com o namorado? E por que eu  estou aqui imaginando coisas? Será que passa pela minha cabeça que uma mulher jovem, bonita, vai estar sozinha?

 E, se estiver, vai se interessar por mim? – Júlio, seu louco! Volta para seu pijama. Se tranque em casa e não saia de lá nunca mais!

Ouviria a voz da razão. Deu meia volta. Não deu tempo. Marina o viu e gritou: Júlio! 

Fechou os olhos, e fez sua última oração: - Senhor, seja feita a sua vontade...

Marina o pegou pela mão e entraram na casa do amigo Vitor que seria surpreendido logo em seguida. Marina lhe ofereceu uma bebida. Júlio tomou de uma só vez.

Começou a festa. Seu Vitor muito feliz. Marina sozinha se divertia e dançava, fazendo Júlio se prender ainda mais com tanta alegria. Por momentos esqueceu sua idade. Dançou, brincou, riu, fez o que nunca fizera antes sem se importar de estar sendo ridículo ou não. Pouco importava. Queria viver aquilo, nem que fosse pela última vez. Não Foi.

Depois da festa, já pela madrugada, sobraram ele e Marina. Cada um falando de si, de suas dores, suas alegrias, suas vontades...

O dia estava nascendo. Os dois sentaram no chão, na rua mesmo, para assistir o lindo espetáculo da natureza. 

Ela se acomodou nos braços de Júlio que sentia a alegria de viver aquele momento que se repete sempre que os dois saem para festejar na noite.

Idade? Quem falou em idade? Nós estamos falando de felicidade! 

“Existe somente uma idade para a gente ser feliz […] Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.” 

Mário Quintana

E você, concorda com o poeta Mario Quintana?

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Rua Santo Ventura, nº...

 


Férias escolares de fim de ano. Donato e Eliza contam a Jonas, de 15 anos, único filho do casal, que iriam passar as férias no exterior. Jonas ficou animado e foi contar da viagem para sua namorada, Nina.

Nina, era uma boa garota, também adolescente como Jonas, mas não podia sonhar com uma viagem assim.

No início eles namoravam escondido. A família de Jonas tinha medo de deixá-lo andar no bairro perigoso em que Nina morava.

Com o tempo, para acalmar a rebeldia de Jonas, permitiram. 

Nos sonhos de namoro, Jonas prometia a Nina que quando terminassem os estudos, e tivessem um bom trabalho, iriam viajar a muitos lugares. 

Viajariam até a lua e astros, montados numa estrela linda!

Eles riam da loucura dos sonhos, mas era tão bom sonhar e estavam tão apaixonados, que juravam que esse amor nunca iria acabar. Duraria para sempre, eternamente, até depois da vida. Juras seladas com beijos inocentes de puro amor.

Logo depois que chegaram ao novo País, Jonas foi informado pelos pais de que a mudança era definitiva. Jonas se revoltou, se sentiu enganado.

Escreveu para Nina contando tudo, pediu para que ela o esperasse, que ficariam assim, se correspondendo até sua volta, e então poderiam realizar o sonho de viajarem pelos astros como sonhado.

O pai o levou até os correios para enviar a carta. Mas o deixou no carro  e foi ele mesmo -  como dono do dinheiro - enviar a carta, o que não aconteceu.

Jonas se sentiu aliviado. Pensou que logo receberia resposta de Nina dizendo que sim, esperaria por ele até o mundo acabar, até depois de depois, se assim precisasse.

Donato, sem nenhum remorso, entregou a carta roubada para Eliza e disse para ela dar fim  naquilo que ele não pode fazer.

Os dias se passaram e nenhuma resposta de Nina. Os pais começaram a dizer que Nina era volúvel, que estava com ele enquanto ele a levava para se divertir.

Jonas ficou desanimado e resolveu esquecer, já que Nina aparentemente o havia esquecido. Com o tempo, casou, foi pai de duas meninas e depois de quarenta anos ficou viúvo.

Tinha poucos amigos, e devido ao que passou com os próprios pais, não confiava em quase ninguém. Suas filhas eram sua companhia. 

Foi ficando melancólico. O pai morreu e ele passou a cuidar da mãe, já doente.

A saúde de Eliza só piorava e ela precisou ficar no hospital. Jonas ia vê-la todos os dias.

Eliza, já quase sem força para falar, perguntou a Jonas porque ele não se casava de novo, e por que era sempre tão melancólico.

Jonas ouvia sua mãe com os olhos perdidos no nada. Ela repetiu a pergunta, despertando o filho do vazio em que se encontrava.

Jonas foi sincero e disse: -sabe, mãe, eu não sou feliz. Desde que viemos para esse País eu não tenho alegria. Trago comigo muitos sentimentos, dentre eles o sentimento de rejeição.

-Lembra daquela minha namorada? Continuou Jonas. Me causou um dano muito grande. Eu tinha certeza que era amor de verdade, que duraria pra sempre.

Não me queixo do meu casamento, mas foi um casamento apático. Nós nos toleramos nesses anos baseados apenas no respeito e na tradição que a sociedade nos impõe, e na vontade de criarmos nossas filhas juntos. Mas nada muito além disso.

-Mãe... prosseguiu Jonas, por que será que a Nina me esqueceu tão depressa?

Jonas confidenciou suas frustrações como nunca fizera. Nem percebeu que sua mãe chorava. Só se deu conta quando a enfermeira veio trazer a medicação para Eliza e perguntou o motivo do choro.

Jonas se assustou e tentou se desculpar com a mãe. Ela lhe disse: - não, meu filho, quem precisa de perdão sou eu. Eu e seu pai, que já não está entre nós.

E lhe contou que a carta nunca fora enviada. Contou também que ousou ler a carta para ver as bobagens que uma criança escrevia. Foi tão bonito o que viu,  e não teve coragem de rasgá-la. Faria um dia, mas o tempo a fez esquecer da carta.

Jonas, disfarçando o quanto estava indignado perguntou pela carta, e onde a mãe a guardou. Não obteve  resposta. Eliza piorou muito pela emoção e remorso talvez, e não conseguia mais se comunicar. Morreu uma semana depois.

O desespero de Jonas só aumentou, e suas filhas e únicas amigas, pediram pra ele contar. Ele contou tudo. Linha por linha. Uma das filhas disse que  mulher adora caixas, e que guarda tudo nelas que é pra não perder. 

Partiram para casa de Eliza em busca do que parecia impossível. Olharam tudo e acharam uma caixa em imitação de caixa de fósforo. A carta estava lá, sã e salva.

Uma pergunta no ar: de que valia ter encontrado a carta agora? Uma das filhas sugeriu para alívio do pai, enviar a carta, provando para Nina sua dignidade, talvez isso o fizesse se sentir melhor.

Mas como mandar? Ele já nem lembrava o sobrenome da Nina que provavelmente já estaria casada, com família, nem lembraria que namorou um cafajeste que a enganou, fazendo mil promessas e não cumpriu nenhuma.

As filhas insistiram: -tenta, pai. Vai que tem um parente, uma amiga de infância que ainda mora por lá...

Sim, mandaria. Mas... mandaria para onde? Qual endereço? Tudo que lembrava era  o nome do bairro e da rua. Nem o número sabia. 

Foi caminhar, precisava de ar, de ideias, de um milagre, uma mágica, uma reza, qualquer coisa que o ajudasse.

A ideia veio: Jogar. Jogar com a sorte. Fez uma carta explicando  o que aconteceu e juntou à carta já amarelada. Mandaria num envelope grande e escreveria o nome da rua,  faria um desenho, pediria por caridade... enfim.

Assim fez. Começou assim no envelope: “Sr. Carteiro, aqui é um homem desesperado (...)”

Finalizou dizendo: “o nome dela é Nina. O endereço que lembro é Rua Santo Ventura Nº... não sei.”

Aquele envelope exagerado com aquele relato comoveu o carteiro. Este prometeu a si mesmo: se essa pessoa estiver viva e neste País, vou encontrá-la. Dor de amor acaba com a gente. E seguiu sua missão.

Parava em cada casa da Rua Santo Ventura, e fazia  indagações.

Até que uma alma do céu deu notícia.

 – D. Nina? Mora aqui mais não. Mudou faz tempo. Mora em outro bairro na casa do filho. O carteiro perguntou, quase confirmando: então Dona Nina é casada? Ao que a pessoa respondeu: não. D. Nina nunca se casou. É mãe solteira. Teve um menino que hoje é formado e vive muito bem de vida.

O Carteiro argumentou:

 - A senhora parece uma pessoa tão boa. Poderia me dar o número do telefone dela?

- Não, senhor. O senhor é carteiro mas não o conheço. 

- Por caridade! Implorou o carteiro.

- Por nada! Posso ligar pra ela  e falar. Serve?

- Serve muito. Faça isso por favor e Deus há de recompensar, amém.

Ela fez.

Nina recebeu a ligação e ficou sem acreditar. Claro que ela lembrava. Mas por que depois de tanto  tempo? Resolveu receber o mensageiro na entrada de seu prédio acompanhada do filho. Ela viu o envelope e pensou ser uma brincadeira.

Mesmo assim, leu. Ficou parada incrédula. Seu coração disparou e aquele namoro lhe veio à mente tão vivo quanto o que nunca morreu.

Falou com o filho. Tomou uma decisão. Iria responder a carta. Mas o que diria?

Tal qual Jonas, Nina precisa de palavras, de inspiração. Encontrou. 

Havia passado três semanas que Jonas enviara a “carta tentativa”. Começou a desanimar. Todos os dias esperava o carteiro na porta, iria vigiá-lo, para ter certeza de que entregaria todas as cartas. Todos os dias a mesma desilusão.

Era sábado, o carteiro passava mais cedo e Jonas lá, de plantão. Talvez fosse hoje. Quem sabe? Esperaria só hoje. Se não viesse não viria mais. O carteiro passou e nada. Não vem mais, pensou. Saiu. Precisava andar, jogar os pensamentos em Nina fora. Se conformar.

Um carro parou em frente à sua casa. Ele se virou para olhar. Uma mulher desceu do carro e disse: Jonas, eu vim trazer a resposta de sua carta à Nina. Jonas emudeceu. Era Nina. Linda como sempre foi. O rosto maduro dava ainda mais charme à beleza que ele tanto amou e sonhou. 

Ela se aproximou e perguntou: para onde você está indo? Ele ainda sem fala, só sinalizou que não sabia.

Nina sugeriu: -por que não vamos à lua? Você me prometeu!

Um abraço sem fim garantiu a viagem e o casamento três meses depois. No dia 11/11/2011.

E você, acredita em um amor sem fim?

 

Paixao.com

    “ Conheci um amor virtual, amor tão lindo quanto o real, sempre mando recados e depoimentos, mesmo distante tocou meus sentimentos.” ...